sábado, 9 de fevereiro de 2008

Comportas...

Não sei por que ainda dói,
por que essa ferida não fecha,
por que ainda perco o sono, quando me revisitas
no lusco-fusco do tempo,
nas palavras e idéias das pessoas,
acerca de mim e de ti e de tudo que não fomos nós.
Não sei por que minha boca seca,
mesmo sem pronunciar seu nome,
nem que motivos reais tem a minha angústia,
que me faz prisioneira do teu cheiro,
que pervaga na lembrança,
que insiste nessa ausência e me faz calar seu nome.
Não sei o que me leva em tua direção,
se não te sigo,
se na verdade, meus passos há muito já encontraram
outra direção,
já não é nem segredo,
mas, desconheço, de verdade,
não entendo, o que é isso que me deixa inquieta
quando alguém articula o seu nome,
descreve os teus gestos,
me deixando insone.
Olho espantada para o meu coração,
cheio de portas e janelas,
tantas trancadas, lacradas, interditadas,
tantas comportas escancaradas,
entreabertas,
mas, continuo sem a certeza
se algum dia, realmente,
eu vi você sair de lá por alguma delas...

WDR


Vou tomar mais café, que é melhor!!!!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Diante do espelho

COMPORTADA.
COMPORTA?
COM PORTA, FECHADA.
SEM PORTA?
NÃO IMPORTA!
IMPORTA?
EXPORTA!
ENTRE ABERT@!
UM CORAÇÃO COM PORTA
OU, SEM PORTA,
COMPORTA?
COM PORTA FECHADA!
SEM PORTA?
IMPORTA! SIM!
ENTREABERTA.

Waleska Dacal

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

coisas de Wanina...

vbggyt.ç,.~çççllç~lçççççççç,,,m.,.mmkn mn b jjhkjhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhjhhhhhhuhhhhh m

então, basta eu me descuidar um pouco e cá está ela, acho que vai ser escritora, ou jornalista...
vale postar, afinal, ela só tem 2 anos e 4 meses!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

CORPO FECHADO


(...)Ela queria raspar a cabeça
pra feitura do santo,
se jogar no mar,
se trancar num canto,
até tirar resguardo,
depois cantar um ponto,
se manifestar,
cantar, cair, rodar
até se alegrar
e curar o quebranto,
sarar as feridas,
estancar o pranto.
WDR
23.12.00
Senhora das Tempestades*

Senhora das tempestades e dos mistérios originais
Quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo.
Trazes a assombração, as conjunções fatais
E as vozes negras da noite, Senhora do meu espanto e do meu medo.
Senhora das marés vivas e das praias batidas pelo vento
Senhora do vento norte com teu manto de sal e espuma
Há uma lua do avesso quando chegas
Há um poema escrito em página nenhuma.
Quando caminhas sobre as águas, Senhora dos sete mares.
Conjugação de fogo e luz e, no entanto, eclipse
Trazes a linha magnética da minha vida
Senhora da minha morte, quando tu chegas
Como essa música, Senhora dos cabelos de alga
Onde se escondem as divindades Trazes o mar, a chuva e as procelas
Batem as sílabas da noite, Batem os sons, os signos, os sinais
E és tu a voz que dita
Trazes a festa e a despedida
Senhora dos instantes, com tua roda dos ventos
E teu cruzeiro do sul
Senhora dos navegantes com teu astrolábios
E tua errância
Tudo em ti é partida, tudo em tu é distância
Tudo em ti é retorno, Senhora do vento
Com teu cavalo cor de acaso,
Teu chicote e tua ternura
Sobre a tristeza e a agonia.
Galopas no meu sangue com teu cateter chamado Pégaso
Senhora dos teoremas e dos relâmpagos marinhos
Senhora das tempestades e dos líquidos caminhos.
Quando tu chegas dançam as divindades
E tudo é uma alquimia
Tudo em ti é milagre
Senhora da energia.
**Texto extraído do poema Senhora das tempestades, de Manuel Alegre,Cd “Diamante Verdadeiro”/interpretação de Maria Bethânia

sábado, 2 de fevereiro de 2008