Hoje eu quero, apenas, um pouco de silêncio!
Hoje estou cansada até de mim,
das minhas esperanças,
do meu olhar cheio de sonhos,
do meu riso tão fácil,
ao te ouvir.
Hoje eu queria que o tempo, ao meu redor,
parasse!
e dessa viagem que é a vida, por alguns momentos,
eu pudesse descer!
desfazer as malas,
todas as bagagens,
esquecer de mim e de você!
Hoje eu queria tapar meus ouvidos,
perder meus sentidos,
não ver,
não lembrar,
não saber,
não sentir,
não querer,
não medir,
não escrever,
não racionalizar!
Hoje eu queria, apenas, um pouco de silêncio...
mas não houve nada, dentro de mim, que sufocasse
essa poesia!
Waleska Dacal
terça-feira, 4 de março de 2008
Cais
engolir palavras,
mastigar verbos,
digerir pronomes
relativos,
possessivos,
pessoais...
não escutar nada,
não enxergar nada,
e no cais da poesia
ancorar, lavar as mãos
num gesto de covardia!
engavetar os sonhos,
tantos sonhos tortos!
arquivar as promessas -elas não foram vãs!
e beber a palo seco,
o sonho amoroso do seu beijo,
contornando com um toque imaginário
o campo vibratório do seu corpo,
sorvendo o teu medo,
o meu medo,
pervagando,
me distanciando,
partindo...
até que da minha presença reste,
apenas,
o silêncio!
W.D.R
"Por mim, e por vós, e por mais aquilo que está onde as outras coisas nunca estão, deixo o mar bravo e o céu tranquilo: quero solidão".
(Cecília Meireles)
mastigar verbos,
digerir pronomes
relativos,
possessivos,
pessoais...
não escutar nada,
não enxergar nada,
e no cais da poesia
ancorar, lavar as mãos
num gesto de covardia!
engavetar os sonhos,
tantos sonhos tortos!
arquivar as promessas -elas não foram vãs!
e beber a palo seco,
o sonho amoroso do seu beijo,
contornando com um toque imaginário
o campo vibratório do seu corpo,
sorvendo o teu medo,
o meu medo,
pervagando,
me distanciando,
partindo...
até que da minha presença reste,
apenas,
o silêncio!
W.D.R
"Por mim, e por vós, e por mais aquilo que está onde as outras coisas nunca estão, deixo o mar bravo e o céu tranquilo: quero solidão".
(Cecília Meireles)
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
(...)
almas,
lamas,
msala,
mlasa,
almas na lama,
corpos,
vozes,
espíritos sussurados nas palavras,
na cantiga,
nos olhares.
(MSCalango)
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
(...)"Quase uma RUMBA!!!"
Não sei, realmente, não sei o que é pior,
se é ficar ouvindo a Letícia Sabatela recitando os poemas místicos, embriagada de amor,
se é ficar ouvindo as risadinhas dela, lá pras tantas, Meu Deus...sofrer de amor e rir é incompreensível! Ou se, pior mesmo, é ficar ouvindo a Lizianne com a voz de Ângela RoRô recitando poesias Sufi, e mais, mais, mais Kalil Gibran...
PQP, carai!!!!!
Ela ainda fala que meu blog é muito triste:
-Pô, Lizi, você acha o meu blog triste?
-Não, não, Waleska...seu blog é quase uma RUMBA!!!
(...)
então pra fazer jus a retórica amorosa de Gibran, segue um pouco de tudo que guardo aqui dentro:
"Vosso coração conhece em silêncio os segredos dos dias e das noites.
Mas vossos ouvidos anseiam por ouvir o que vosso coração sabe.
Desejais conhecer em palavras aquilo que sempre conhecestes em pensamento.
Quereis tocar com os dedos o corpo nu de vossos sonhos.
E é bom que o desejeis.
A fonte secreta de vossa alma precisa brotar e correr, murmurando, para o mar;
E o tesouro de vossas profundezas ilimitadas revelar-se a vossos olhos.
Mas não useis balanças para pesar vossos tesouros desconhecidos;
E não procureis explorar as profundidades de vosso conhecimento com uma vara ou uma sonda.
Por que o Eu é um mar sem limites e sem medidas.
Não digais: 'Encontrei a verdade'. Dizei de preferência:' encontrei uma verdade!'
Não digais: 'Encontrei o caminho da alma'. Dizei de preferência: 'Encontrei a alma andando em meu caminho'.
Por que a alma anda por todos os caminhos.
A alma não marcha numa linha reta nem cresce como um caniço.
A alma desabrocha, tal um lótus de inúmeras petálas."
(GIBRAN KHALIL GIBRAN, In: O profeta).
se é ficar ouvindo a Letícia Sabatela recitando os poemas místicos, embriagada de amor,
se é ficar ouvindo as risadinhas dela, lá pras tantas, Meu Deus...sofrer de amor e rir é incompreensível! Ou se, pior mesmo, é ficar ouvindo a Lizianne com a voz de Ângela RoRô recitando poesias Sufi, e mais, mais, mais Kalil Gibran...
PQP, carai!!!!!
Ela ainda fala que meu blog é muito triste:
-Pô, Lizi, você acha o meu blog triste?
-Não, não, Waleska...seu blog é quase uma RUMBA!!!
(...)
então pra fazer jus a retórica amorosa de Gibran, segue um pouco de tudo que guardo aqui dentro:
"Vosso coração conhece em silêncio os segredos dos dias e das noites.
Mas vossos ouvidos anseiam por ouvir o que vosso coração sabe.
Desejais conhecer em palavras aquilo que sempre conhecestes em pensamento.
Quereis tocar com os dedos o corpo nu de vossos sonhos.
E é bom que o desejeis.
A fonte secreta de vossa alma precisa brotar e correr, murmurando, para o mar;
E o tesouro de vossas profundezas ilimitadas revelar-se a vossos olhos.
Mas não useis balanças para pesar vossos tesouros desconhecidos;
E não procureis explorar as profundidades de vosso conhecimento com uma vara ou uma sonda.
Por que o Eu é um mar sem limites e sem medidas.
Não digais: 'Encontrei a verdade'. Dizei de preferência:' encontrei uma verdade!'
Não digais: 'Encontrei o caminho da alma'. Dizei de preferência: 'Encontrei a alma andando em meu caminho'.
Por que a alma anda por todos os caminhos.
A alma não marcha numa linha reta nem cresce como um caniço.
A alma desabrocha, tal um lótus de inúmeras petálas."
(GIBRAN KHALIL GIBRAN, In: O profeta).
domingo, 10 de fevereiro de 2008
Dique (Ou, menção honrosa ao De Profundis!)
Foi algo como represar um rio, só para vê-lo passar muitas vezes pelo mesmo lugar,
fechando atrás de si todas as comportas, para deixá-lo descobrir novos dissabores
ao se debater nas velhas pedras,
a investidura no contato com a rocha fria, moldando novos sulcos, descobrindo outras reentrâncias, no calor do sol ou na sofreguidão do lodo.
Foi como aquecer a alma fria, no limiar de uma brasa ardente,
fogueira já não era, estava quase morta,
de sede, de cansaço pela espera,
que desafio imenso era sorrir daqui pra frente,
apagando algum vestigio da correnteza que passara,
deixando para atrás os sonhos,
feito peixes mortos, apodrecendo sem saciar qualquer tipo de fome.
Foi como proferir preces inaudíveis
no interior de uma caverna muito escura,
repleta de uma solidão e de um abandono
que faria chorar as coisas mais tristes...
Foi como interditar um dique,
na desculpa qualquer de consertar os velhos muros que o aprisionava,
e deixar a água evaporar,
secar, apodrecer, mesmo tendo tanta sede!
E do ponto mais alto da sua solidão
ver agonizar lentamente,
e morrer lentamente o velho rio,
ferido pelas pedras,
sonhando com o mar!!!
WDR
..."E deixo pra depois o que eu tinha que fazer, o destino aceito sem dizer sim ou dizer não, sem entender"...
(Ana Carolina - O Rio).
"Encontro, algures na minha natureza, alguma coisa que me diz que não há nada no mundo que seja desprovido de sentido, e muito menos o sofrimento. Essa qualquer coisa, escondida no mais fundo de mim, como um tesouro num campo, é a humildade. É a última coisa que me resta, e a melhor (...). Ela veio-me de dentro de mim mesmo e sei que veio no bom momento. Não teria podido vir mais cedo nem mais tarde. Se alguém me tivesse falada dela, tê-la-ia rejeitado. Se ma tivessem oferecido, tê-la-ia rejeitado (...). É a única coisa que contém os elementos da vida, de uma vida nova (...). Entre todas as coisas ela é a mais estranha (...). É somente quando perdemos todas as coisas que sabemos que a possuímos".
(Oscar Wilde, in "De Profundis")
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