sábado, 10 de dezembro de 2011

ESTRADA


ENQUANTO PASSEIA O MUNDO,

LÁ FORA,

PENSO EM VOCÊ!

VONTADE DE NÃO SEI O QUÊ,

VONTADE DE PAGAR PRA VER!

ENQUANTO DESPERTO O FEL DA PALAVRA,

ESCREVO POESIAS,

CALO O QUE VEM DE DENTRO

E ESCREVO O QUE EU JÁ SABIA!

ENQUANTO NÃO ENTENDO O QUE ANDO SENTINDO,

COLOCO O PÉ NA ESTRADA,

POEIRA, PEDRAS, FOLHAS SECAS, VENTO,

VOCÊ NO PENSAMENTO

E MAIS NADA!

Waleska Dacal Reis

10/12/11

(...) "Antes que tudo se perca, enquanto ainda posso dizer sim, por favor, chegue mais perto”

(Caio Fernando Abreu)


IMAGEM DISPONÍVEL EM: redutodospensadores.blogspot.com


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

LUMINESCÊNCIA

Diferente o olhar,

Os mesmos olhos!

Um brilho novo no lugar da inocência...

Um fogo estranho percorrendo todo o corpo,

Luminescência...

Palavras soltas, imaginadas ao pé do ouvido,

Perigo certo fazer parte desse jogo,

Palavras soltas escorrendo pela boca,

Aquecem o corpo!

O que foi dito, foi sentido

E não pensado!

Fica guardado nos tambores do ouvido

E o meu coração descendo só,

Ladeira abaixo,

Segue comigo!

Diferente o olhar,

Os mesmos olhos...

WALESKA DACAL

08-09/12/2011

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

DESAPROPRIAÇÃO

Perguntaram-me se eu não tinha medo de ficar sozinha,

respondi que não, que meu medo maior, na verdade, era de ficar sem mim,

por que comigo acontece, e eu não entendo muito bem,

algumas pessoas passam e de alguma forma vão me levando,

ignorando os meus sentimentos,

subscrevendo as coisas que falo,

tirando de mim o que é meu desespero ou meu contentamento,

numa desapropriação de tudo.

Vão levando assim a minha energia, a minha paciência,

a minha tolerância e o meu respeito,

vão acumulando minhas reticências,

e a superficialidade que dou ao meu olhar, algumas vezes!

Eu tenho medo é de ficar sem mim,

não que eu me baste, nem de todo me compreenda,

não que eu me limite às minhas tolas convicções, transitórias, irreais e burras.

Eu tenho medo de ficar sem mim,

e não poder insistir nessa busca por tudo aquilo que seja de verdade!


Waleska Dacal Reis

08.12.2011


"Eu quero a memória acesa depois da angústia apagada."

(Cecilia Meireles)


sábado, 3 de dezembro de 2011

CIDADE FANTASMA

Não, não fui eu não, eu apenas assisti a tudo pelo espelho,

Vi a ferrugem corroer os trilhos,

Vi a poeira apagar o caminho,

Vi o deserto consumir toda a água necessária para que houvesse o choro,

e não houve choro!

E nem mesmo ouviram-se vozes, nem ranger de dentes.

Mas, não fui eu! Eu estava aqui sentada,

ouvi quando ruiu a primeira e a segunda pilastra de sustentação,

Senti quando estremeceram - se as bases que foram construídas,

Mas permaneci imóvel, expectadora passiva,

Conformada até - eu pressentia que em algum momento aquilo tudo viria abaixo -

Mas não me lamentei!

Permaneci sentada olhando do espelho!

Não percebi os escombros, talvez pela distância,

Nem mesmo a poeira causou-me algum dano,

Não ouvi também nenhum barulho!

Nem mesmo quando a cidade fora sitiada

E a ordem aos sobreviventes era de que abandonassem as suas casas,

As suas crenças, ou qualquer outra garantia,

De segurança, de conforto, de fidelidade...

Mas, não fui eu não, eu só não desconfiei,

Nas vezes em que me vi perdida ali, a esmo,

Que aquelas placas cobertas de fuligem escondiam o mesmo aviso:

CIDADE FANTASMA!

Waleska Dacal

(03.12.2011)

...é que Dezembro trouxe-me, de volta, as palavras!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

SETEMBROS...

Ajusto o foco da visão para perceber você,
que me aparece assim, de improviso,
num desvio qualquer,
na contramão,
como seu melhor sorriso,
com o meu melhor sorriso!
Dilatando a sua pupila, meu rosto cora,
o verbo dá o tom da alegria,
e a gente fala, e a gente se toca,
e a gente cala o que viveu um dia.
E eu que chorei outros setembros,
sem grandes esperanças, bem me lembro,
o quanto entreguei a você a minha vida.
Sem grandes esperanças,
sem nenhuma certeza,
e uma vaga impressão, tenho pra mim,
de que a nossa história não foi concluida!


Waleska Dacal
(02.09.2011)



" Olá! Como vai?

- Eu vou indo. E você, tudo bem?

- Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro… E
você?

- Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranquilo… Quem sabe?

- Quanto tempo!

- Pois é, quanto tempo!

- Me perdoe a pressa, é a alma dos nossos negócios!

- Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!

- Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!

- Pra semana, prometo, talvez nos vejamos… Quem sabe?

- Quanto tempo!

- Pois é… Quanto tempo!

- Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das
ruas...

- Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!

- Por favor, telefone! Eu preciso beber alguma coisa,
rapidamente…

- Pra semana…

- O sinal…

- Eu procuro você…

- Vai abrir, vai abrir…

- Eu prometo, não esqueço, não esqueço…

- Por favor, não esqueça, não esqueça…

- Adeus!

- Adeus!

- Adeus!"

( na voz de Chico Buarque-Sinal fechado)