quarta-feira, 27 de outubro de 2010

so far...

Eu queria encontrar um tipo qualquer de tristeza inesperada e dura, que me fizesse explicar justamente isso que eu sinto agora,
Um passarinho preso na gaiola,
A bola de sorvete preferido que caiu no chão,
A despedida daquele melhor amigo que partiu pra muito longe...so far...so far way
O último ano de colégio,
O vinil favorito da Legião Urbana arranhado,
A camisa de estimação manchada de água sanitária,
Essas coisas que nos pegam de improviso...
Ah, uma topada, daquelas que nos jogam dois metros a frente, tem coisa mais triste?
Inesperadamente triste?
Não!
Tristeza mesmo é sentir solidão, de repente, num lugar abarrotado de pessoas alegres e falantes, e numa fração de segundos perceber que a única pessoa capaz de preencher esse deserto em que você se encontra, não está ali...
Não está ali...e o pior é perceber que já esteve (...) já esteve! (...) e de alguma forma, misteriosa e triste, silenciosa, quase muda, permanece lá, intocável, imperceptível a olho nu...raio x, ressonância magnética, tomografia...eletrocardiograma, ecocardiograma, desafiando todo o qualquer avanço da medicina moderna.

Embaçando o seu sorriso...presente na ausência, continua ali e você, tristemente, se apercebe disso,Subitamente. Simples assim!


Waleska Dacal



"(So promise)
No matter how long it takes for me to get back to you
You'll wait for me"

(So Close So Far-hoobastank)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Pertencimento

Vale um lamento, por fim, qualquer nota grave, um dissonante acorde qualquer, triste melodia, que me faça entender, entre tantas lembranças, a que melhor lhe descreve, num amontoado de sorrisos e gestos..
Vale medir, sem esforços, a distância real dos meus sonhos e o espaço que eles ocupam dentro da tua realidade, para que depois eu me submeta, ainda que com grande dificuldade, ao vazio que me cabe, povoado da tua lembrança,
Vale ressaltar, no entanto, que nos meus sonhos ainda sinto o seu cheiro, e o calor do seu abraço, que não sei de onde emergem, mas me alcançam e me povoam a alma, como se fossem um agasalho, uma colcha de retalhos todos iguais, num improviso impensado de um amor que já não cabe no pequeno espaço físico que o meu corpo ocupa, e que minha alma habita.
Devo dizer, sem reservas, que mesmo sem saber como, nem por que, eu te pertenço, ainda que desse pertencimento eu não te tenha deixado documento algum de posse, nem inventário, nem grandes certezas, em meio ao meu vagar silencioso e arredio.
Que te fique, ao menos, a impressão desse tanto que eu lhe quis e ainda quero, apesar de não trilhar caminho algum que te alcance, apesar de virar a esquina e mudar de calçada, se preciso for, tantas vezes nos caibam, só para que você não consiga enxergar nos meus olhos que esse amor que me fez ser tua, é de verdade.

Waleska Dacal
13.09.10


“p.s.: Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. E amanhã tem sol.”
(Caio Fernando Abreu)

P.P.S.: às vezes nem eu aguento as coisas que escrevo!
(Waleska Dacal Reis)

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

MENTIRAS


Enquanto você se esforça procurando mentiras que não me convencem, simplesmente com o intuito de não me fazer sofrer, eu vou repetindo pra mim mesma e deixando aqui para a posteridade o que venho ouvindo dia após dia de uma grande amiga: "Mentir dá muito trabalho!!!"
e muito mais simples, apesar de indelicada, é a verdade, com sua áspera certeza.
Enquanto você insiste em seguir no seu inferno particular, repleto de fantasias e imaginações estéreis, paralelo ao meu, eu permaneço colecionando fragmentos de uma realidade sem verniz,mas livre dos ressentimentos que possam deixá-la bolorenta.
Universos opostos,
mundos tão distintos, afastados ainda mais por fantasias e mentiras, num ensaio qualquer de desrespeito que me aborrece e fere, que não compreendo, nem aceito, mas respeito, por que sei que a sua vida é uma mentira e que só podemos oferecer aos outros aquilo que temos.
Enquanto você leva um tempo tentando descobrir o que me fez assim, trilhar o caminho de volta ao meu próprio mundo, tão somente por insistir em subestimar a minha capacidade de perceber as coisas, eu vou vasculhando as minhas idéias, alguns sentimentos travosos, tentando digerir qualquer mágoa e levando comigo a promessa de que nunca mais, nessa vida, te procuro.

Waleska Dacal
27/08/10

"Eu vou derramar nos seus planos
O resto da minha alegria"...
(MENTIRAS -ADRIANA CALCANHOTO)


imagem:http://www.partesdesign.com.br/ms/maio_2007/img/encontros_despedidas_covil_0.JPG -ACESSO EM 27/08/2010







quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Corda Bamba



Calei a voz do meu amor ferido,

a boa maneira quis que fosse assim!
Um gole qualquer de vinho azedo e impuro!
tragado no escuro,
a seco, até o fim.
Destapei o sol, com o vão da peneira,
sem eira, nem beira,
desenhei um chão,
ou uma corda bamba,
de pedra de argila,
mas segui tranquila,
com o meu coração.

(Waleska Dacal)
26.08.10



"bão balalão, Senhor Capitão, tirai esse peso do meu coração!"

imagem:http://suefb.blog.uol.com.br/images/lUIolay1f.jpg. acesso em 26.08.10

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Enquanto você não vem me ver...

Enquanto você não vem me ver, eu vou vivendo o que é possível,
Misturando cores, visitando novas paisagens, que me faça esquecer o seu sorriso,
Que vez por outra se manifesta em minha mente, lentamente,
junto com a melodia da sua voz,
Pronunciando o meu nome demoradamente.
Enquanto você não surge assim, na minha frente,
Eu vou tentando esquecer que já não lembro do calor da mão,
Da firmeza do abraço, da cumplicidade do olhar, casta de qualquer outro toque
Que não tenha sido, apenas, o da alma,
Numa manifestação serena de amizade, simplesmente pura,
A estreitar laços, nobreza e bons sentimentos.
Enquanto você não decide e vem estar comigo, só para poder perceber
Que eu nunca estive errada em expor sem critérios tudo o que sinto:
Indignação, espanto, tristeza mesmo, e não dizer mais nada,
Calando até o meu pranto,
Enquanto você não me ver, eu vou seguindo assim, parando de vez em quando, pra expulsar de mim essas palavras, que surgem revisitadamente,
pra me lembrar que eu te amei e o quanto.


Waleska Dacal Reis
20/08/10